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O luto e a vida


O luto é um processo natural da vida, o sentimos quando passamos por alguma perda, seja de um emprego, relacionamento, expectativas, sendo profundamente sentido, principalmente, ao perder um ente querido.

A morte de quem se ama, embora esperada, visto que somos finitos, gera um grande impacto na vida de quem fica, daquele que perdeu. A dor é sentida e vivida de diversas formas, pelo tempo que cada corpo e mente pode sentir. Embora pareça estranho, falar sobre o luto é falar sobre a vida. 


Quem fica, precisa agora juntar seus cacos quebrados, os estilhaços estão por cada canto da casa, nas fotos e momentos que compartilharam juntos, nas lembranças que geram tanto conforto quanto desespero, afinal, não haverá novas lembranças, novos momentos, novas histórias para contar num fim de tarde. Infelizmente, resgatar essas peças espalhadas em sofrimento, choro e saudade, é uma tarefa árdua e desafiadora. 


Primeiro porque se cobra vivenciar a dor de maneira mais profunda possível, só assim realmente se amou quem partiu. Em seguida é preocupante que esteja a sofrer tanto, já que o mundo ainda gira e as outras pessoas “parecem bem”. Por fim, a pessoa se encontra em um mar de perguntas, dúvidas, incertezas - e é necessário utilizar todos os sinônimos - enquanto ainda continua a lidar com a partida. 


Mas a vida, ela ainda acontece, ela chama e clama atenção, ela inclusive, salva. É quando a vida te puxa para ver ela passando, que você começa a sair daquele monte de fragmentos de dor. É graças a vida e a tudo que emerge junto com ela, que a dor que nomeio de “dor penetrante” pode enfim, dá lugar a saudade, que de maneira muito carinhosa chamo de “saudade boa”. A vida é tudo, é o lar que precisa novamente de cuidados, o trabalho que requer muito a sua atenção, às pessoas queridas que te oferecem apoio e normalidade, é até mesmo os problemas, que não quer mais ninguém senão nós mesmos para resolvê-los. 


A vida acontece, ela exige sua presença e eu te peço, ouça esse chamado. E não espere só que ela o chame, a resgate também. Não há dignidade maior a quem partiu e a si mesmo do que ver a vida como o privilégio que ela é.


 
 
 

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